Capítulo Um: A Invasão
O ano é 900 da Terceira Era. Obliviax, que já está de pé desde a Segunda Era, encontra-se em colapso.
Na Aurora de 900 3E, batedores de Obliviax encontraram uma caravana destruída em uma estrada isolada de Lothya. Não haviam corpos e a mercadoria havia desaparecido.
Ao vasculhar um pouco, eles encontraram documentos e cartas que indicavam que o que quer que seja que aquela caravana estava levando estava diretamente relacionado com os eclipsados. Intrigados, os militares de Obliviax ordenaram uma busca pelos arredores do local onde a caravana foi destruída, na esperança de encontrar algum vestígio do que havia ali ou para onde o conteúdo foi levado.
As buscas acabaram sendo infrutíferas, mas agentes de Obliviax infiltrados em cortes dos reinos foram capazes de descobrir quem era o dono dessa caravana: Dr. Hermann Steinhäusser.
Conhecido por sua genialidade, assim como por seu sadismo, o infame Dr. Steinhäusser estava por trás de uma criação que mudaria a vida dos eclipsados para sempre.
Uma extensa pesquisa sobre a vida de Steinhäusser levou Obliviax a descobrir sobre o fascínio de Steinhäusser por eclipsados. Histórias diziam que os eclipsados capturados por Ardor muitas vezes eram enviados para que Steinhäusser fizesse diversos experimentos bizarros com eles. Em sua busca para entender a maldição dos eclipsados, o alquimista torturou, matou e dilacerou diversos eclipsados inocentes, desde crianças até idosos.
Seu objetivo era simples: reproduzir a maldição, mas sem os malefícios que ela trazia, para que a magia pudesse ser comercializada. Steinhäusser acreditou ter alcançado seu objetivo quando criou uma poção que anulou os efeitos da maldição de um dos eclipsados que estavam presos. Contudo, a poção funcionava apenas para anular a maldição por completo, não apenas os efeitos negativos. Mas, sem saber disso, Steinhäusser organizou um evento, um baile onde as famílias mais importantes de Ardor se reuniriam para ouvir a grande notícia sobre a criação de uma poção capaz de dar capacidades mágicas para qualquer um.
Ao descobrir sobre a existência dessa poção e da festa, Obliviax fez o que pôde para infiltrar alguns de seus agentes na festa, com o objetivo de descobrir mais sobre essa tal poção e, se possível, roubar a sua receita. A missão não foi tão fácil, mas ninguém esperava que fosse.
Durante a festa, os agentes de Obliviax quase foram identificados diversas vezes. Porém, apesar de terem deixado muitas informações para trás, eles conseguiram o essencial: coletar dados sobre como reproduzir essa poção e usá-la para curar os eclipsados. Ou pelo menos esse era o plano de alguns.
Por semanas, a poção criada por Steinhäusser foi estudada pelos alquimistas de Obliviax. Com a fórmula em mãos, não seria difícil reproduzi-la. Porém, após uma cansativa e intensa pesquisa, foi descoberto que a poção era imutável, ou seja, era impossível altera-la sem perder seus efeitos. Isso significava que, ao beber a poção, o eclipsado perderia não apenas a sua maldição, como também sua capacidade de usar magia. E assim se iniciou um conflito interno em Obliviax, talvez o primeiro dessa escala.
De um lado, um grupo se negava a usar a poção e alegava que sua maldição era, na realidade, uma benção e deveria ser usada contra aqueles que os oprimiram por tanto tempo. Estes se chamavam de Separatistas.
Do outro, um grupo de pessoas que queria usar a poção para curar a todos em Obliviax e, com isso, se livrarem da maldição que os assola há tantos anos para que, sem ela, pudessem retornar para o mundo e deixar de se esconder. Estes eram a Resistência.
Era óbvio que ambos estavam equivocados em algum nível. O mundo não aceitaria ex-eclipsados com tanta facilidade. Muitos seriam marginalizados, outros presos ou até sacrificados. Com ou sem poderes, o sentimento anti-eclipsado fervia forte nos corações de muitos e isso não mudaria facilmente. Por outro lado, um conflito aberto com os Iluminados era suicídio, levando em consideração que eles são treinados especificamente para caçar eclipsados e são muito bons no que fazem.
O maior problema, entretanto, era que os Separatistas repudiavam a ideia de uma cura e não queriam agir em conjunto com aqueles que não pensavam dessa forma.
A crescente tensão entre Separatistas e a Resistência só não escalou para um conflito físico porque, durante uma discussão no fórum, Obliviax foi atacada. Pela primeira vez desde a sua fundação, a posição de Obliviax havia sido comprometida por um traidor não identificado e, como consequência, o refúgio foi atacado por três navios voadores, com poderosos canhões e repletos de Iluminados veteranos. Eles queriam exterminar Obliviax.
Mas os eclipsados resistiram com todas as suas forças. Os dois grupos deixaram suas diferenças de lado por um momento e se uniram para defender os inocentes que viviam no refúgio. Mas não foi fácil. Centenas de eclipsados morreram, inclusive crianças. Casas foram destruídas, construções históricas foram deixadas em ruínas. Obliviax estava em chamas.
Com a ajuda dos mestres das escolas de magia e de muitos valentes eclipsados, os invasores foram forçados a recuar, mas a um custo altíssimo. Agora, os eclipsados estão em busca de uma nova casa, uma nova Obliviax para recomeçar.
Com seu lar exposto e os inimigos sempre a espreita, os eclipsados se viram obrigados a iniciar a busca por um novo refúgio. Foi então que uma missão de exploração foi realizada.
Um grupo de batedores foram reunidos para investigar um local misterioso que fora mencionado em um dos documentos recuperados por agentes de Obliviax na missão para invadir uma festa em Ardor. Festa onde também encontraram encontraram a receita para a cura.
O documento em questão falava vagamente sobre uma região coberta por uma densa floresta, pântanos e protegida por magia. A descrição do lugar era pouco detalhada e demonstrava que, seja lá quem tenha tentado adentrar aquele local, claramente não havia conseguido.
Foi durante essa missão que os exploradores de Obliviax encontraram o Santuário, uma vila onde habitava diferentes pessoas: lobisomens, semideuses, entre outros. E logo aquele lugar se tornou o seu novo lar. Se tornou um refúgio para todos aqueles que não foram aceitos pela sociedade.